Fortalecer econômica, política e socialmente as mulheres negras, grupo que experimenta a desigualdade e a violência de maneira mais profunda. Este é o foco dos 16 projetos selecionados, em junho, no edital Negras Potências, para participar de uma campanha de matchfunding, que já está no ar. A iniciativa é uma parceria entre o Baobá — Fundo para Equidade Racial, a plataforma de mobilização Benfeitoria e o Movimento Coletivo, da Coca-Cola Brasil.

Nesta modalidade de financiamento coletivo, toda a captação realizada pelos projetos na Benfeitoria será triplicada pelo Movimento Coletivo, a plataforma de investimento social da Coca-Cola Brasil, por meio de um fundo de R$ 500 mil.

Com os temas Empoderamento Econômico; Vida Livre de Violência e Educação; Cultura e Difusão de Informação, as iniciativas estão espalhadas por todas as regiões do Brasil. A seguir, saiba mais sobre os projetos.

AfreekTech

AFREEKTECH — MULHERES NEGRAS NO CENTRO

Com o objetivo de desenvolver o empreendedorismo negro e potencializar o alcance desses empreendedores, o Movimento Black Money, sediado em São Paulo, trabalha nas áreas de inovação, tecnologia, comportamento e finanças, oferecendo palestras, workshops e pesquisas de público.

O projeto AfreekTech prevê um curso de formação para um total de 30 alunos, em três módulos que cobrem diversas etapas da criação de seu próprio negócio. O roteiro começa com o planejamento e a modelagem do empreendimento, passa ao “Programe num fim de semana” — onde os alunos aprenderão, por exemplo, a desenvolver seu próprio aplicativo — e termina com os ensinamentos de marketing digital, para auxiliar na divulgação do negócio.

Segundo o Movimento Black Money, cada turma terá um mínimo de 75% de mulheres negras, e os outros 25% das vagas serão destinadas a alunos de outras diversidades, como homens negros, pessoas com deficiência e transgêneros.

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Afrolab

AFROLAB — MULHERES NEGRAS MÚLTIPLAS POTÊNCIAS

Maior feira de cultura negra da América Latina, a Feira Preta, em São Paulo, atua incentivando o empreendedorismo afro-brasileiro, mapeando empreendedores no Brasil inteiro e atuando como aceleradores e incubadores de negócios negros. É de dentro dessa perspectiva que sai o Afrolab, um projeto de aperfeiçoamento das habilidades empresariais de mulheres negras a partir de um processo de autoconhecimento.

A coordenadora Adriana Barbosa explica que se trata de um processo imersivo, de cerca de uma semana, a ser realizado com mulheres em diferentes situações, de diferentes idades. A iniciativa é inspirada na metodologia de uma pesquisadora indiana, que parte de competências e habilidades individuais para empreender. Mas a ideia é desenvolver, a partir disso, uma metodologia própria, bebendo na fonte dos saberes ancestrais da população negra. “Durante esse período de uma semana, o ideal é que a gente possa se aprofundar nessas mulheres, que elas tragam à tona sonhos e desejos e, a partir daí, a gente desenvolva modelos de negócios e coloque a mão na massa”, conta Adriana.

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Afroricas

AFRORICAS

Lorena Monique publicou seu primeiro vídeo no YouTube em 2014, por impulso, depois de uma situação constrangedora de racismo vivida numa loja de cosméticos. Hoje, o Neggata tem cerca de 56 mil inscritos, e foi o caminho encontrado por Lorena para discutir temáticas mais aprofundadas das relações étnico-raciais. O audiovisual é também a base do projeto Afroricas, que ela toca ao lado de  Gabriella Safe e Trícia Oliveira, e que será sediado em Brasília. O objetivo é desenvolver material audiovisual para ajudar mulheres negras a se inserirem no mercado de trabalho.

Segundo ela, o Afroricas terá um pouco de tudo: entrevistas, informação, consultorias, vídeos informativos, tutoriais e mais. O resultado final será hospedado na própria plataforma digital do projeto, mas com uma ajudinha da popularidade do canal Neggata. “Estamos ainda pensando qual a melhor forma de impactar nossa comunidade feminina negra através da emancipação econômica, o objetivo é instruí-las e mostrar os melhores caminhos de atingirem seus objetivos. Ajudá-las a sonhar alto!”, defende Lorena.

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Mais que brinquedos, representatividade

MAIS QUE BRINQUEDOS, REPRESENTATIVIDADE!

Em 2015, Geórgia Nunes fez uma verdadeira peregrinação pelas lojas de brinquedo de Salvador. A missão: conseguir comprar uma boneca de pele preta. A extrema dificuldade deu origem ao projeto Amora Bonecas, que ela comanda desde 2016. Mais do que confeccionar bonecas negras, seu ateliê cria brinquedos que se afastem da caricatura. E, mais ainda, o negócio acabou abrindo outras frentes.

A venda das bonecas gera brinquedos para crianças que não os teriam em outras condições: a cada Amora vendida, outra é doada. Além disso, Geórgia e sua equipe organizam os eventos “Eu brinco, eu existo!” em escolas públicas municipais. Com a ajuda do crowdfunding, a perspectiva é que o impacto social do projeto cresça e chegue a 2 mil crianças em 12 edições do evento, tudo isso em três meses. “Na sala de aula, os brinquedos são utilizados de forma lúdico-pedagógica e se transformam em ferramentas de construção de identidade e de promoção de igualdade racial. Elevar o patamar de crianças atingidas será um sonho realizado!”, explica Geórgia.

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Casa das Pretas

CASA DAS PRETAS

A Casa das Pretas, localizada na Lapa, bairro central do Rio de Janeiro, acabou ficando mais conhecida por um motivo dos mais tristes: foi o último lugar em que esteve a vereadora Marielle Franco, assassinada quando voltava de um debate intitulado “Mulheres negras movimentando as estruturas”. O espaço, inaugurado em 2017, se propõe exatamente a conversas como essa: quer ser um local onde mulheres negras se reúnam para pensar, articular, contribuir para implementação de medidas que garantam a todas igualdade social, política e econômica.

Com a ajuda do crowdfunding, a Casa das Pretas pretende expandir essa atuação. A ideia é organizar atividades como oficinas de fomento à economia solidária, rodas de estudo e leitura sobre feminismo negro, curso para desenvolvimento acadêmico para auxiliar o acesso a mestrados e doutorados e cursos de dança e percussão, entre diversas outras atividades.

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CIRCULADÔ DE OYÁ

Formada por participantes de vários movimentos sociais, a Uneafro tem a educação popular como base. Seus cursos pré-vestibulares comunitários são famosos, mas a instituição também tem núcleos de preparação para mercado de trabalho, formação política, de gênero, antirracista, diversidade sexual, combate às drogas e aperfeiçoamento jurídico. O Circuladô de Oyá será o projeto voltado, especificamente, para fortalecer a atuação política e social das mulheres negras em comunidades, relações sociais, contatos com instituições e poder público, explica Vanessa Nascimento, representante da organização.

O projeto será realizado em cada um dos 23 núcleos da organização, em regiões periféricas de São Paulo e Rio de Janeiro, e começará com um encontro sobre raças, gêneros e identidades na luta entre as classes, que será seguido do programa de formação. No fim, haverá um encontro com as participantes das aulas para a avaliação do projeto e troca de experiências.  “Nosso foco é possibilitar às alunas de cursinhos populares a vivência de experiências que ajudem a dar novos rumos ao ambiente que vivemos, combatendo os funis que impedem o desenvolvimento pleno das mulheres, em especial, as mulheres negras”, analisa Vanessa.

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Encontro Cores Femininas

CORES FEMININAS

O grafite e o hip hop são agentes de cultura e cidadania no projeto Cores do Amanhã, que atua há mais de dez anos na Comunidade do Totó, em Recife. O espaço cultural atende crianças, jovens e adultos em mais de 20 oficinas culturais e esportivas, além de desenvolver um trabalho especificamente voltado para mulheres, focado no empoderamento e no combate à violência.

Em novembro acontece o evento mais importante da instituição, o VII Encontro Cores Femininas, que reúne diversas artistas, grafiteiras e mulheres do hip hop de todo o país. Com a ajuda do crowdfunding, elas contam, será possível melhorar o espaço onde as participantes ficam alojadas, além de adquirir materiais para os workshops e as vivências planejadas para o evento, que incluem troca de experiências, conscientização para o enfrentamento das várias formas de violência e para adquirir autonomia financeira.

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Corpos Invisíveis

CORPOS INVISÍVEIS

Moradora de Niterói, no Rio de Janeiro, a realizadora audiovisual Quézia Lopes tem experiências no mercado de cinema independente como diretora, produtora, roteirista e montadora. Sua proposta com o documentário “Corpos invisíveis” é colocar essa experiência a serviço da discussão da invisibilidade social da mulher negra na sociedade brasileira, e de como isso se reverte em violência e opressão.

Quézia lembra que as negras são as principais vítimas de violência contra a mulher: o número de casos cresceu 24% em dez anos, enquanto os relacionados a mulheres brancas caíram. Ela explica também que as mulheres negras são também as principais afetadas no que diz respeito à  violência obstétrica, estão nas funções mais precarizadas da sociedade e também são as que sofrem mais violações de direitos. Incluindo uma série de entrevistas e pesquisas, o documentário pretende tornar essa mulher visível e colocar o assunto no centro do debate social.

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COSTURANDO REDES DE SOLIDARIEDADE E BORDANDO FUTUROS

Um dos mais antigos e tradicionais terreiros de candomblé da Bahia, Ilé Òsùmàrè Aràká Àse Ògòdó — conhecido como Casa de Oxumaré — existe desde 1988 em Salvador e, além de desenvolver atividades religiosas, é ativamente engajado em projetos sociais e culturais que contribuem para o desenvolvimento e inclusão das comunidades do seu entorno. No caso do Costurando Redes de Solidariedade e Bordando Futuros, o foco é o fortalecimento econômico de mulheres negras, numa tentativa de driblar a desigualdade de acesso a oportunidades profissionais e de renda.

A organização vai selecionar de 20 a 40 mulheres para oficinas divididas em duas turmas de corte, costura e bordado, de nível inicial e intermediário. O resultado final será a venda dos produtos fabricados numa feira, além da realização de um desfile para expor o trabalho à comunidade. No futuro, o projeto tem potencial ainda para se desdobrar em uma marca do próprio terreiro, com roupas costuradas pelas mulheres que fizerem parte do curso.

Costurando Sonhos para Protagonizar o amanhã

COSTURANDO SONHOS PARA PROTAGONIZAR O AMANHÃ

O bairro Sarandi, na Zona Norte de Porto Alegre, concentra um elevado índice de vulnerabilidade e violência doméstica. É lá que, desde 2002, atua a ONG Sempre Mulher, Instituto de Pesquisa e Intervenção sobre Relações Raciais.

Entre os projetos estão desde cursos de embelezamento afro a brechós beneficentes, passando por atividades culturais com grafite e um espaço de acolhimento para crianças e adolescente em situação de risco. O que estas iniciativas têm em comum é a intenção de oferecer à população afro-brasileira local um resgate de seu protagonismo e autoestima. Novidade no rol dos projetos, o Costurando Sonhos para Protagonizar o Amanhã tem como público-alvo especificamente as mulheres negras.

Corte, costura e criação foram os temas escolhidos por, de acordo com a coordenação da ONG, estarem mais atrelados à realidade da região. Assim, através de oficinas na área, a intenção é promover a inserção das mulheres negras no mercado de trabalho.

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Doula a Quem Quiser

DOULA A QUEM QUISER

Comandado pela Associação de Doulas do Rio de Janeiro, o projeto pretende promover acesso à informação sobre parto, gestação e puerpério. De maneira mais específica, a meta é atender a mulheres em situação de encarceramento. Serão criados site e cartilha com informações online, além de rodas de gestantes e oficinas com profissionais da rede de saúde. Além disso, gestantes e puérperas do Presídio Talavera Bruce e da Unidade Materno Infantil Madre Tereza de Calcutá terão atenção especial da associação, que vai convocar doulas para o atendimento.

Morgana Eneile, presidente da Associação, destaca que os materiais buscarão uma linguagem de fácil compreensão para todas as mulheres e interessados no tema, e o site terá um canal direto de denúncia de violência obstétrica com o Núcleo de Direitos da Mulher da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro. A atuação se estenderá ainda à população feminina atendida em algumas das unidades de saúde onde está localizado o Talavera Bruce. “A violência obstétrica é recorrente em uma a cada quatro mulheres. Mulheres negras lideram as estatísticas devido ao racismo estrutural na atenção obstétrica”, defende Morgana.

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NaSurdina

EDITORA NA SURDINA

Criada em 2015, a Afroguerrilha é uma plataforma de criação e curadoria de conteúdo que estimula diálogos e conexões entre o povo preto. A editora Na Surdina é mais um braço do projeto, que pretende potencializar a atuação de jovens autoras negras, oferecendo a infraestrutura para criação e produção de material. De acordo com Marcela Felix, que coordena o projeto da editora, a ideia é começar com autoras brasileiras e com livros de poesia, ficção, foto e ilustração. Mas, com o tempo, o objetivo é alçar voos ainda mais altos.

Além de cobrir todo o processo editorial, desde a produção até a distribuição, o projeto da Na Surdina inclui ainda uma proposta de formação e incentivo à autora que ainda não tenha conseguido materializar seu trabalho. Na fase de distribuição, serão também promovidos debates e trocas de experiência com autoras mais experientes e o público. “A ideia surgiu de uma vontade antiga em fazer uma revista colaborativa com vários artistas/autores negros. Ao frequentar espaços de arte, publicações e editoras, sempre víamos poucos negros tanto como expositores ou como público. A pretensão é mudar esse cenário”, conta Marcela.

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Investiga Menina

INVESTIGA MENINA!

Uma parceria entre a Universidade Federal de Goiás, a ONG Dandara no Cerrado e a Escola Estadual Solon Amaral, o Investiga menina! pretende fomentar o interesse das crianças e das jovens negras pela área de ciências, na qual a representatividade desse grupo ainda é muito baixa.

Já em curso há dois anos, o projeto faz a aproximação entre pesquisadoras negras da universidade e as alunas da escola por meio de palestras que também tentam desmistificar a ciência, trazendo as experiências para o dia a dia das jovens.

Um dos exemplos abordados nas conversas é o alisante de cabelo: tanto o impacto químico de seu uso quanto a visão social do alisamento e o racismo embutido na prática.  O crowdfunding ajudará, de acordo com a coordenação, a expandir e aumentar os impactos positivos da iniciativa, trazendo mais pesquisadoras e incluindo mais escolas.

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Revista Arquitetas

REVISTA ARQUITETAS NEGRAS

A plataforma Arquitetas Negras, de Belo Horizonte, é uma iniciativa que busca potencializar e fortalecer o trabalho de mulheres negras na área da arquitetura e do design. Segundo Gabriela de Matos, proponente do projeto, a ideia surgiu através de uma inquietação pessoal e de um constante questionamento de onde estariam as arquitetas negras que nunca são vistas nas mostras das áreas, nas publicações ou em qualquer outro ambiente relacionado. Desde o inicio deste ano, o grupo está mapeando a produção destas arquitetas e construindo uma plataforma tanto de pesquisa, quanto de contratação de serviços de arquitetura pelo Brasil.

Além de propor ações que diminuam a discriminação de raça e gênero, outro objetivo da iniciativa é a produção de um publicação especializada em arquitetura e urbanismo a fim de dar visibilidade ao trabalho e o contexto social no qual se dá o trabalho de mulheres negras que atuam na profissão. O valor arrecado no matchfunding será utilizado sobretudo para custear o processo de desenvolvimento da revista e contratação de todos profissionais envolvidos na produção da mesma.

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Flores Fortes

SORORIDADE — FLORES FORTES

Fundada em 1996, a Escola Pernambucana de Circo usa atividades culturais e arte circenses como vetor de desenvolvimento social e educacional para seus alunos: crianças, adolescentes e jovens. A percepção de uma realidade de violência entre mulheres adolescentes de escolas públicas foi o que deu origem ao “Flores fortes”, espetáculo que será montado pela instituição com a ajuda do crowdfunding.

De acordo com Fátima Pontes, coordenadora executiva da EPC, o espetáculo vai abordar o tema da sororidade a partir de números circenses que tragam a importância dessa nova realidade. “Chegamos a esse público pela própria realidade que observamos das nossas educandas. É importante as mulheres se unirem mais, se juntarem e juntas serem amigas/irmãs como forma de diminuir os casos de violência dos homens contra as mulheres, mas também das mulheres perante as outras mulheres”, opina a coordenadora.

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Sou negra e quero falar

SOU NEGRA E QUERO FALAR!

Criadora do blog “Na veia da nêga!” e também de um canal homônimo no Youtube, a mineira Lívia Teodoro percebeu que a maioria das youtubers negras da plataforma de vídeos se dedicava a falar de cuidados com cabelos. Livia considera o assunto importantíssimo, mas decidiu ampliar a discussão para temas diversos, de maternidade a métodos contraceptivos, passando pela experiência em apps de relacionamento. Assim nasceu o Clube de Blogueiras Negras, e é dele que surge o projeto Sou negra e quero falar!

O projeto inclui duas edições de formação. Por dois dias, blogueiras e youtubers negras participarão de oficinas de análise do discurso, produção de vídeo e segurança digital. A ideia é ter dez  mulheres a cada edição. No fim, o conteúdo produzido será disponibilizado para votação pública e as vencedoras receberão equipamentos. “Acredito que esse projeto seja de extrema importância para colocar as youtubers negras em outro patamar. Num momento em que vemos grandes canais no YouTube entrando em polêmicas racistas, machistas, xenofóbicas, é importante valorizar e dar espaço àquelas que vêm fazendo uma comunicação representativa e socialmente responsável”, diz Lívia.

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Edital Negras Potências

Texto produzido por Colabora Marcas