Foi para enganar a fome que sentia no fim da tarde que a duquesa de Bedford, no século XIX, passou a tomar uma xícara de chá e a fazer um pequeno lanche. Como ela era influente na corte, bastou para que o hábito se tornasse parte da rotina dos ingleses e o hábito cultural mais famoso do país. Mas, para além do chá das cinco, como ficou conhecido o ritual, quais ocasiões pedem um chá, especialmente no Brasil, onde os termômetros registram temperaturas bem mais elevadas do que nas terras da duquesa de Bedford?

Para a jornalista e sommelier de chá Renata Izaal, a resposta é simples:

“A hora que der vontade! É comum as pessoas pensarem que o chá deve ser tomado em dias frios ou em situações que pedem um aconchego. Mas o universo dos chás e das infusões é tão rico que há sempre uma opção para um determinado momento”.

O jornalista de gastronomia Luiz Horta, que viaja os quatro cantos do mundo em busca dos melhores vinhos e é expert e apaixonado por chás, faz coro:

“Bebo chá o dia todo, como água, com qualquer coisa. Muitas vezes, abro meu armário e decido pelo que me apetece na hora. Nāo tem momento definido: tomo chá depois do café da manhā, por exemplo, quando bebo café coado. Chá com empadas é outra tradição aqui em casa”.

Assim como Horta, Marcelo Correa, que é gerente nacional de vendas da Leão Alimentos e Bebidas, não abre mão de beber um bom chá logo que acorda. Ao longo do dia, mate e hortelã são alguns dos sabores tradicionais que sempre acompanham a sua rotina. Isso sem falar nos blends (misturas), como o de maracujá, laranja e gengibre:

“O Brasil viveu recentes movimentos de gourmetização e acessibilidade a vinhos e cervejas. O café também já começa a ter essa evolução, assim como os chás, que já ensaiam sua participação nesse movimento. E isso se dá não só pelos apelos de estilo de vida natural, característicos da bebida, mas também pela oferta de uma infinidade de blends e sabores, que, ao atingirem praticamente todos os tipos de gostos e paladares, facilitam a introdução de novos apreciadores nesse universo”.

A seguir, os três listam seus tipos de chás favoritos para diferentes momentos do dia e da noite.

De manhã, para despertar?

Renata Izaal: “Fico entre dois: gosto muito de chá verde para começar o dia com algo mais leve. Mas eu não tenho problemas para despertar. Quem precisa de um up logo pela manhã, pode recorrer ao chá preto. É tão eficaz quanto o café”.

Luiz Horta: “Um preto forte, bem puro”.

Marcelo Correa: “Para despertar e começar o dia bem disposto, minha opção é sempre um delicioso chá preto”.

Antes, durante ou depois do almoço?

Renata Izaal: “Antes, durante e depois. Gosto de pensar num chá branco, bem levinho, para despertar as papilas. Durante o almoço, escolho um chá que combine com a comida ou, se for uma refeição maior, posso até mesmo harmonizar os cursos com chás diferentes. Depois da refeição, vale uma infusão digestiva, como hortelã, ou uma que cuide do bem-estar do estômago como a erva-doce”.

Luiz Horta: “Os três. Gosto de beber chá verde, com comida. Lembra vinho branco”.

Marcelo Correa: “Durante ou depois do almoço, eu gosto de chá de hortelã, que tem um toque refrescante. Outra excelente opção é o blend de rosa silvestre, hibisco e amora (uma combinação perfeita!)”.

Antes de uma reunião importantíssima de trabalho?

Renata Izaal: “Se for uma reunião tensa, vale uma infusão de camomila. Mas se a ideia for estar desperto e bem atento, um chá preto puro”.

Marcelo Correa: “Gosto do blend maracujá, laranja e gengibre, da linha Senses”.

Naquele encontro com os amigos?

Renata Izaal: “Nesse caso, por que não um drinque com chá? Experimente preparar o seu chá favorito e adicioná-lo a algum destilado. Chás com frutas são uma boa opção. Infusão de morango ou de hibisco e rosas costumam ir bem”.

Luiz Horta: “Se eu convido em casa, faço algum para surpreender. Se nāo depende de onde estamos, bebo infusōes ou mate. Tenho o hábito de beber chimarrāo também”.

Marcelo Correa: “Para reunir os amigos, bater um bom papo, vale desfrutar do melhor que há em tea bags (saquinhos de chá) para infusão. A linha Senses, com seus blends exclusivos, por exemplo, tem um excelente equilíbrio entre ervas, frutas e flores. É uma experiência multisensorial. Entre as opções estão amora, mirtilo e baunilha; matte, cereja e hibisco; maracujá, laranja e gengibre; papaia, cenoura e laranja; ou laranja, pimenta rosa e gengibre”.

E à noite, antes de dormir?

Renata Izaal: “Infusão de camomila. Experimente colocar um pouquinho de mel, para adoçar levemente, e um pouquinho de baunilha, que dá um aroma delicioso”.

Luiz Horta: “Uma infusāo de tília, erva doce ou camomila”.

Marcelo Correa: “Após um dia intenso ou até mesmo para uma leitura relaxante, o tradicional chá de camomila é sempre uma boa pedida. Melhor ainda no blend camomila, cidreira e maracujá”.

No inverno, qual a melhor opção?

Renata Izaal: “Todos os tipos de chás podem ser consumidos durante todo o ano. Mas uma boa pedida para o inverno é preparar um chá preto com especiarias. Elas dão um aconchego que a estação pede. Adoro chá preto com canela”.

Luiz Horta: “Tanto faz, observo mais os horários pela ingestāo de cafeína e teína”.

Marcelo Correa: “No inverno, todos os chás são acolhedores”.

E para refrescar?

Renata Izaal: “Alguns tipos de chá verde podem ser bem refrescantes. Infusão de hortelã também costuma ajudar”.

Luiz Horta: “Gosto de uma infusāo ou blend que leve hibisco, pela acidez”.

Marcelo Correa: “Matte Leão gelado, puro, é o meu favorito”.

Na praia?

Renata Izaal: “Como boa carioca, eu gosto mesmo é de Matte Leão na praia. Mas um bom chá gelado cai bem: chá verde com hortelã ou com limão são boas pedidas ou um chá preto com frutas. Ice tea com limão ou pêssego também funciona”.

Marcelo Correa: “No calor intenso, como bom carioca, adoro um Matte Leão bem gelado, ícone das praias cariocas, patrimônio do verão!”.

E quando a gente exagera na festa e sente os efeitos no dia seguinte?

Renata Izaal: “Melhor ficar nas infusões de ervas, como a erva-doce e a cidreira. Evite chás muito fortes ou adstringentes, como os pretos, pois podem irritar o estômago e piorar a ressaca. E beba muita água”.

Luiz Horta: “Eu tenho sempre, na geladeira, três tipos diferentes de chás. Bebo os 3 litros, mas o melhor é nāo ter ressaca”.

Marcelo Correa: “Aí, o bom e velho chá de boldo é uma boa opção”.

Texto produzido por Colabora Marcas