O espírito de competição deve ser superado pelo de colaboração. Essa foi a principal constatação de um dos debates realizados no 10º Congresso GIFE (Grupo de Institutos e Fundações Empresariais), evento que ocorre a cada dois anos e é referência sobre o tema do investimento social privado.

Representantes da Coca-Cola Brasil, Ambev, Instituto Coca-Cola Brasil e Instituto Vedacit debateram, em São Paulo, em abril, os avanços e as limitações para construir uma agenda comum e formar parcerias pré-competitivas, ou seja, firmadas antes de entrar em questão a usual competição corporativa. “É muito positivo participar de um evento que dita as tendências nesse meio, de potencial impacto social por parte da iniciativa privada, e estimula diálogos entre empresas e sociedade civil organizada. As empresas estão amadurecendo no sentido de colocar as estratégias sociais e ambientais como parte de seu crescimento sustentável, e as que participam do GIFE, em geral, são as mais envolvidas nesses debates”, ressaltou Thais Vojvodic, gerente da área de Sustentabilidade da Coca-Cola Brasil.

Na mesa mediada pela socióloga e pesquisadora Anna Peliano, dois exemplos concretos de parcerias foram analisados: a experiência de Coca-Cola Brasil e Ambev, que hoje contribuem para o desenvolvimento da cadeia de reciclagem de forma mais eficiente através de co-investimento em cooperativas de catadores; e o trabalho conjunto entre o Instituto Coca-Cola Brasil e o Vedacit no programa Coletivo Jovem, com foco em empregabilidade de jovens de comunidades de baixa renda.

A plataforma Reciclar pelo Brasil foi lançada há um ano pelas duas companhias de bebidas. “A inversão do olhar foi essencial nessa parceria com as cooperativas: não mais com as empresas no centro, mas com o foco no impacto como prioridade”, disse Thais. "Esse trabalho a muitas mãos já resultou em um aumento de 25% no investimento às cooperativas", ela complementou, destacando também outro aspecto fundamental para o sucesso das iniciativas: "Estar presente nas comunidades locais é a forma de se conectar com as necessidades reais e não tomar decisões apenas da mesa do escritório". 

Congresso GIFE
 Thais Vojvodic, gerente da área de Sustentabilidade da Coca-Cola Brasil, foi uma das participantes do Congresso GIFE

Rodrigo Peixoto

Thais lembrou ainda que a parceria com a Ambev não se limitou a apenas investir dinheiro nas cooperativas, mas abriu um diálogo mais transparente com o setor e, a partir de aprendizados, erros e acertos, impulsionou a co-criação de soluções para as limitações das cooperativas. 

“O objetivo é apostar na qualidade, mais do que na quantidade. Hoje, temos 110 cooperativas debaixo do guarda-chuva dessa parceria”, afirmou Filipe Barolo, gerente de Sustentabilidade da Ambev. A plataforma de co-investimentos em cooperativas está aberta a outros parceiros, inclusive, e um dos desafios para o futuro é estabelecer uma governança para a entrada de interessados. “Um dos indicadores de sucesso da nossa parceria é que empresas e cooperativas nos procurem para entrar no programa”, explicou Barolo.

Na mesma mesa de debate, Daniela Redondo, diretora do Instituto Coca-Cola Brasil, e Luis Fernando Guggenberger, gerente de Sustentabilidade da Vedacit, explicaram a plataforma Coletivo Jovem, cujo objetivo é empoderar jovens entre 16 e 25 anos a conseguirem o primeiro emprego. “Temos mais de 200 parceiros de empregabilidade. Hoje, após nove anos de programa, estamos presentes em 90 comunidades com parceiros locais. Formamos 180 mil jovens nesse período e já empregamos 54 mil”, informou Daniela. Foram investidos de forma progressiva R$ 70 milhões de reais nestes nove anos. “Queremos ir além dos 180 mil jovens beneficiados, mas com qualidade”, completou a diretora. 

Os ingredientes fundamentais nesta receita de sucesso são, segundo ela, a escala, a parceria e a sustentabilidade financeira. O Instituto Vedacit começou sua jornada há um ano, mas Luis Fernando Guggenberger ressaltou que a Vedacit já trabalhava antes para contribuir com a formação de pequenos comerciantes de material de construção. “Uma das coisas mais belas de nossa parceria é a conversa olho no olho”, contou.

Congresso GIFE
Pesquisadora Anna Peliano com Luis Fernando Guggenberger, gerente de Sustentabilidade da Vedacit, e Daniela Redondo, diretora do Instituto Coca-Cola Brasil

Rodrigo Peixoto

Investimento em acesso a água

O Instituto Coca-Cola Brasil ainda fez parte, no GIFE, de um debate sobre investimento social privado e água. Da mesa participaram Marussia Whately, uma das idealizadoras da Aliança pela Água – uma coalização de organizações da sociedade civil criada para propor soluções para a crise hídrica –, e Rodrigo Brito, gerente de Operações do Instituto Coca-Cola Brasil e coordenador do programa Água+ Acesso.

Para Marussia, felizmente cada vez mais companhias têm trazido o tema da água para o centro de suas estratégias. “Hoje, no Brasil, 100 milhões de pessoas não têm acesso a tratamento de esgoto [segundo o Instituto Trata Brasil]. Cerca de um terço dos municípios brasileiros estão em estado de emergência por estiagem. Estes são alguns dos grandes desafios”, enfatizou Marussia, lembrando que, mês passado, o Brasil sediou o Fórum Mundial da Água.

Um dos resultados do evento foi justamente a assinatura de um compromisso empresarial para a segurança hídrica, que contou com a assinatura também da Coca-Cola Brasil.

Brito aproveitou para lembrar que acaba de completar um ano o Programa Água+ Acesso, que tem o objetivo de levar água potável, de maneira segura e sustentável, a comunidades rurais – reunindo grandes parceiros, tecnologia e modelos de gestão comunitária que garantam a continuidade dos projetos.

‘Trabalhamos em áreas rurais, impulsionando modelos de governanças que envolvem a sociedade e a comunidade, com gestão comunitária, com modelos compartilhados, simbióticos, sinérgicos com o poder público’ - Rodrigo Brito, gerente de Operações do Instituto Coca-Cola Brasil

Dos 35 milhões de brasileiros que não têm acesso à água tratada em suas casas, 20 milhões vivem em áreas rurais. Um dos desafios, segundo Brito, é o de não fazer programas que dependam 100% das companhias, mas sejam também conectados a organizações da sociedade civil e governos municipais, estaduais e federal.

“Optamos por oferecer investimento em condições de continuidade. Trabalhamos em áreas rurais, impulsionando modelos de governanças que envolvem a sociedade e a comunidade, com gestão comunitária, com modelos compartilhados, simbióticos, sinérgicos com o poder público”, explicou Brito.

O programa, atualmente, opera pilotos com soluções inovadoras em três estados (Pará, Amazonas e Ceará), beneficiando 15 comunidades, um total de 4 mil pessoas. Para este ano a previsão é a ampliação para oito estados (somando à equação, Minas Gerais, Espírito Santo, Pernambuco, Bahia e Piauí), beneficiando 100 comunidades com um total de 50 mil pessoas.

Texto produzido por Colabora Marcas