Garantir a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos é um dos objetivos definidos pelas Nações Unidas como essencial para o desenvolvimento humano. Por isso, deve ser alcançado até 2030. E não há momento mais oportuno para se discutir como atingir essa meta do que na semana em que é realizado o 8º Fórum Mundial da Água, que, pela primeira vez, acontece no Brasil. Durante o evento, de 19 a 23 de março, líderes mundiais, empresas, especialistas e a sociedade civil se reúnem para grandes debates sobre o tema.

Como uma empresa que tem como principal ingrediente de seus produtos justamente a água, a Coca-Cola Brasil quer participar ativamente da construção dessas soluções. Por isso, a companhia abrirá fontes de água mineral Crystal para pessoas e comunidades. Além disso, a empresa aumentará seu investimento na plataforma Água+ Acesso que, até o fim de 2018, terá impactado 50 mil pessoas em 100 comunidades de oito estados. A ideia do programa é encontrar e financiar soluções que levem água potável e saneamento a comunidades que ainda não têm acesso a esses benefícios básicos. Até 2020, o investimento será de R$ 25 milhões.


Confira o bate-papo com o presidente da Coca-Cola Brasil, Henrique Braun, sobre esse bem tão precioso para a humanidade:

Por que a Coca-Cola Brasil se preocupa com as questões que envolvem o tema da água?

A Coca-Cola, como líder do setor de bebidas, sempre atuou em frentes que são importantes para as comunidades dos países em que opera. E a água é essencial para a vida humana, para o meio ambiente e, portanto, para nós. Além disso, é o principal ingrediente das nossas bebidas e tem papel de destaque nos nossos processos industriais. Por isso, nada mais natural do que ter este como um tema prioritário para a companhia. Estamos fortemente engajados em realizar ações para proteger as fontes de água, promover seu uso racional, sua conservação e o acesso à água potável. Queremos nos desafiar a sempre fazer mais e a continuar liderando a indústria nesse movimento.

Já que você falou em “fazer mais” pela água, o que a Coca-Cola Brasil vem fazendo com relação aos desafios do setor hídrico?

Temos nos envolvido cada vez mais com a questão da água, sempre estudando e nos aprofundando no assunto. Viemos fazendo, historicamente, esforços e investimentos no setor de água, porque sabemos que temos um papel importante em movimentar essa agenda. Os nossos programas estão concentrados em uma mesma plataforma chamada Água+, que tem três frentes de atuação: Água+ Eficiência, Água+ Disponibilidade e Água+ Acesso.

‘Investimos em projetos de reflorestamento e conservação de bacias hidrográficas numa área equivalente a mais de 100 mil campos de futebol’

Pode detalhar algumas das ações?

Claro. Começamos fazendo o nosso “dever de casa”. No Água+ Eficiência, buscamos usar a água dentro de nossas fábricas de maneira consciente, sempre com inovações nas linhas de produção e modernização de equipamentos que permitem que utilizemos cada vez menos água na nossa produção. Nos últimos 16 anos reduzimos em 34% a quantidade de água para produção de um litro de bebida. Atualmente, utilizamos 1,78L de água para cada litro de bebida produzido. A meta é chegar ao índice de 1,68L até 2020.

Já saímos de dentro de nossas fábricas e estendemos essas metas para a nossa cadeia produtiva, para os agricultores que fornecem frutas para os nossos sucos, por exemplo. Trabalhamos em parceria com startups para tentar encontrar soluções inovadoras, como a da Agrosmart, que já opera com alguns produtores. Essa startup desenvolveu um aplicativo que captura a umidade do solo, cruza com dados pluviométricos da região e manda uma mensagem no app do agricultor dizendo se ele tem que irrigar ou não o solo. Com isso, há uma diminuição de 30% do uso da água e 10% de alavancagem de produtividade. Juntando esse dois mundos — a inovação e ousadia das startups com o potencial de escala da Coca-Cola Brasil —, acreditamos que podemos gerar um impacto positivo.

Para além dos muros das fábricas, quais são as metas?

Depois de feito o essencial, começamos a olhar para as comunidades nos arredores de onde atuamos. Então percebemos que seria importante garantir a oferta de água para atividades produtivas e para o consumo doméstico. Por isso, contribuímos para a reposição e sustentabilidade de bacias hidrográficas, através de diversas ações que fazem parte do programa Água+ Disponibilidade. Fazemos um trabalho de reflorestamento e conservação na Amazônia, Sudeste e Nordeste. Por meio do Programa Coalizão das Cidades pela Água, liderado pela The Nature Conservancy (TNC), estão sendo desenvolvidas ações nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. Já são mais de 103 mil hectares que protegem bacias hidrográficas.

Estamos envolvidos em projetos de conservação e restauração de mata ciliar — aquela que fica nas margens dos cursos d’água —, e de áreas de reposição de bacias hidrográficas, que, aliados a outras iniciativas, nos ajudam a devolver para a natureza o dobro da água que utilizamos para produzir nossas bebidas. Investimos em projetos de reflorestamento e conservação de bacias hidrográficas numa área equivalente a mais de 100 mil campos de futebol.

Segundo o Instituto Trata Brasil, 35 milhões de brasileiros não têm acesso a água potável e sete milhões não têm banheiro em casa. Em um cenário como este, qual é o papel de uma empresa como a Coca-Cola, quem tem a água como seu insumo básico?

Como uma empresa total de bebidas, não podemos não olhar para a situação do acesso a água nas comunidades onde atuamos. E é exatamente aí que estamos concentrando esforços agora, com o terceiro pilar, o Água+ Acesso, que foi lançado há cerca de um ano. Por isso, assumimos o compromisso de ampliar o acesso à água potável e ao saneamento, de forma sustentável, para comunidades rurais de todo o Brasil. Hoje, a aliança, que envolve ainda diversas instituições especializadas em gestão de recursos hídricos, impacta 4 mil pessoas em 15 comunidades. Mas pretendemos ampliar a plataforma: até o fim de 2018, terá impactado 50 mil pessoas em 100 comunidades de oito estados. Destinamos, em 2017, mais de R$ 1 milhão em um edital que buscou soluções inovadoras para os principais desafios para o acesso à água no Brasil e, até 2020, o investimento será de R$25 milhões.

Além do edital que buscou soluções para desafios hídricos do país, há outras iniciativas de acesso a água?

Sim, vamos abrir as fontes de água mineral Crystal para as pessoas e comunidades vizinhas. Até o fim do ano, abriremos oito fontes nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Minas Gerais e Alagoas. Isso quer dizer que a mesma água que utilizamos na nossa marca Crystal ficará disponível para as comunidades gratuitamente.

O Fórum Mundial da Água acontece pela primeira vez no Brasil. O que você espera que fique de aprendizado?

O poder de trabalharmos todos juntos. Nada disso que estamos fazendo e conquistando seria possível sem parcerias. Só unindo forças é possível ir mais longe. E queremos levar esse exemplo para o restante da indústria — que pode e deve se unir a governos, sociedade civil e inclusive à concorrência em nome de grandes causas. É preciso quebrar barreiras e unir esforços.

Texto produzido por Colabora Marcas