O Brasil foi o segundo país da The Coca-Cola Company, logo depois dos Estados Unidos, a criar uma vice-presidência só para Transformação Digital. “O Brasil é o quarto país do mundo em número de usuários de internet, então essa agenda é extremamente relevante para nós”, comenta Adriana Knackfuss, vice-presidente de Transformação Digital da Coca-Cola Brasil.

Entenda o que quer dizer ‘transformação digital’

Por mais árduo que o caminho rumo à transformação digital seja, é urgente e essencial que as companhias o trilhem. Se o mundo, hoje, é fragmentado e passa por transformações contínuas, o mundo corporativo precisa refletir esse novo momento, respondendo com mais agilidade às demandas do consumidor.

“Isso significa trabalhar com projetos que são lançados ainda em desenvolvimento e que, depois, ganham versões 2.0 e 3.0”, pondera Adriana. “Ao mesmo tempo, a The Coca-Cola Company, com 130 anos de existência, preza muito pela qualidade. E é claro que não vamos abrir mão disso. Mas precisamos repensar nossos processos de trabalho para conseguir atender aos consumidores com agilidade sem perder qualidade”.

Como acompanhar os desejos do consumidor?

Se o centro do negócio é o consumidor, tarefa primordial é então acompanhar suas opiniões e desejos. Por isso, o Centro de Relacionamento do Consumidor (CRC) é parte da área coordenada por Adriana — a proximidade é tanta que a vice-presidente e a gerente do CRC Elizabeth Almeida costumam sentar-se lado a lado. “O CRC interage com mais de 30 mil pessoas por mês, então a gente consegue ter esse pulso do consumidor de uma forma muito próxima. Também já temos consumidores aqui conosco nas nossas reuniões de rotina. Abrimos o microfone e ele fala com a nossa equipe. E isso é só o começo”, provoca Adriana, cheia de novas ideias para aproximar cada vez mais o comprador do dia-a-dia da Coca-Cola Brasil. “Sempre colocamos o consumidor no início dos planos, através de pesquisas. Mas, agora, queremos que seja parte integral do trabalho, como se tivesse uma cadeira aqui do nosso lado”.

Quais são os maiores desafios da transformação digital?

Sob o ponto de vista de Adriana, “conectar os pontos” de uma empresa e trabalhar de forma conjunta é um dos maiores desafios dessa área de vanguarda, que em empresas do mundo inteiro corre para deixar todos os departamentos bem afinados. “Nas empresas da The Coca-Cola Company esse esforço é ainda maior, já que envolve integrar também nessa rotina os grupos engarrafadores das bebidas. Além disso, temos o desafio de mostrar que essa não pode ser uma agenda secundária ou paralela ao negócio — é parte do negócio”, enfatiza a vice-presidente, que, em 2016, entrou na lista Women to Watch in Brazil, organizada pela plataforma Meio & Mensagem.

Como colocar líderes e funcionários na mesma sintonia de inovação?

Fazer com que o conceito não fique apenas no plano das ideias e passe para a prática é outro capítulo deste desafio. A configuração dos escritórios, por exemplo, podem ajudar a colocar funcionários e chefes nesse novo formato de trabalho e de pensamento. “A sociedade do consumidor digital é mais fluida e transparente. Por isso, migramos para um ambiente de trabalho totalmente aberto. Não importa o cargo, a posição na organização, todo mundo senta junto, inclusive com parceiros de fora da companhia. Isso facilita a tomada de decisão, faz com que a informação flua com agilidade e transparência dentro do grupo”, explica.

Quem circula pelo 5º andar da sede da Coca-Cola Brasil, na Praia de Botafogo, no Rio de Janeiro, não consegue não notar os enormes telões com gráficos e dados mutantes nas paredes. A equipe de transformação digital os consulta a todo tempo. “Não queremos apenas fazer marketing em tempo real, mas também operar o negócio como um todo de maneira ‘real time’”, define Adriana. “Os telões fazem com que a informação esteja democratizada. Todo mundo pode acessar os mesmos dados. Esse é um componente crítico para a agilidade. Se cada um tem uma informação diferente, a gente não consegue ser ágil”.

Texto produzido por Ecoverde Conteúdo Jornalístico