O ano era 1968, e a vida passava mansa na pequena Ijaci, cidade no Sul de Minas Gerais —  hoje com pouco mais de 5 mil habitantes. O que não andava tão calmo era o coração de Antônio Alberto de Carvalho, um rapaz de 26 anos perdidamente apaixonado, que queria se casar mesmo sem dinheiro no bolso para assumir tal compromisso. Sua família fabricava manteiga, mas não era aquilo que o jovem queria. Enveredou para a produção de queijos.

Foi assim, há quase 50 anos, que Seu Totonho — como ficou conhecido na região — lançou as bases da mais inovadora indústria de laticínios do país, a Verde Campo, hoje instalada em Lavras (MG) e que foi adquirida pelo Sistema Coca-Cola Brasil em 2016.

O plano para os próximos anos é tão ousado quanto o impetuoso jovem enamorado da década de 1960 ou os produtos inovadores e pioneiros da empresa: a Verde Campo quer ser a maior referência em laticínios no Brasil. Com a aquisição pela Coca-Cola Brasil e a inevitável expansão da comercialização de seus produtos, a meta tem tudo para ser alcançada.

Inovação está no DNA do negócio

Com suas garrafinhas simpáticas e muita cremosidade, os iogurtes da Verde Campo hoje chamam a atenção nas prateleiras dos supermercados Brasil afora. Qualidade e sabor estão associados aos produtos, que, desde o início, trouxeram inovações. Carro-chefe da marca, a linha Lacfree foi a primeira sem lactose do Brasil. Também atrai o consumidor que busca o bem-estar o Natural Whey Shake, que tem zero adição de açúcar, zero lactose e zero gordura. É adoçado com estévia e tem 14 gramas de proteína, auxiliando na recuperação do tecido muscular após atividades físicas. O produto não precisa de refrigeração e, graças ao eficiente sistema de distribuição da companhia, agora, os itens da Verde Campo podem chegar a todas as regiões do país.

Hoje, o processo de desenvolvimento de um novo produto é muito rápido. Há os que foram criados em menos de 40 dias! E tantas novidades têm tudo a ver com Seu Totonho. Ele relembra como a inovação ficou marcada no DNA do negócio, muito antes dos iogurtes: “Resolvi partir para o setor de laticínios e comecei a estudar a fabricação de queijos”, conta ele, formado em Agronomia. “Conhecia alguns produtos diferenciados, premiados em concursos nacionais, e sempre tentava fazer melhor. Conversava muito com pessoas do ramo e prestava atenção a tudo o que falavam para ver os resultados. Aí comecei a fazer o queijo cobocó, que é da mesma linha do queijo prato, e deu muito certo”.

“Fabricar queijo é uma questão de amor. É uma profissão apaixonante” – Seu Totonho, criador da Verde Campo

A nova profissão ficou para a vida inteira. “Fabricar queijo é uma questão de amor. É uma profissão apaixonante”. Seu Totonho criou a Laticínios Jandira, que viria a ser absorvida pela Verde Campo décadas depois. De forma artesanal, produzia o queijo que vendia a comerciantes da região. “Naquela época era permitido vender o queijo ‘pelado’, como se dizia, sem embalagem”, lembra ele. “Levávamos o queijo para o mercado assim e o concorrente fazia o mesmo — todos tinham o mesmo formato e a mesma cor”.

‘Eu vivia no meio do queijo’, diz presidente da Verde Campo

A transformação da indústria artesanal familiar em um laticínio de ponta veio pelas mãos de Alessandro Rios — primogênito do casamento de Seu Totonho com Durcila Amélia Rios de Carvalho, com quem teve outros quatro filhos. Rios, de 45 anos, é o atual presidente da Verde Campo.

“Desde que nasci, meu pai fabricava queijo, eu vivia no meio de queijo. Influenciado por essa paixão, decidi estudar laticínios. Fui a Juiz de Fora, para o Instituto Candido Fortes, onde fazia um curso técnico de tempo integral. Terminado o curso, fui fazer Engenharia de Alimentos e, depois, acabei fazendo mestrado em Agroindústria”, conta Rios, lembrando que foram mais de 12 anos fora de casa, estudando. “Enquanto ainda era estudante, abri uma empresa de consultoria. O governo do estado me propôs a criação de um centro de excelência em laticínios para implementar novas tecnologias e inovação, mas não houve empresa interessada. No fim, decidi eu mesmo fazer um investimento e criei um braço da minha consultoria para implantar as tecnologias desenvolvidas, torná-las acessíveis”.

“O Sistema Coca-Cola Brasil trouxe um novo ciclo de crescimento, com um número maior de clientes. Mas o importante é que pudemos manter o mesmo DNA de inovação que sempre tivemos, e também a liberdade para continuarmos essa jornada seguindo os mesmos princípios” – Alessandro Rios, presidente da Verde Campo

Na verdade, a Verde Campo foi originalmente montada como uma empresa pequena, criada para testar tecnologias inovadoras para a produção de alimentos de excelente qualidade e grande preocupação com o bem-estar do consumidor, uma parte da consultoria. Mas a produção acabou dando muito certo. “Em setembro de 1999, a Verde Campo foi inaugurada como fábrica. Em 2003, a parte industrial já tinha mais importância e, em 2005, decidimos desativar a consultoria”, relembra Rios.

A expectativa é que, com a entrada do Sistema Coca-Cola Brasil no negócio, a Verde Campo cresça e apareça ainda mais. O trabalho em conjunto já possibilitou uma expansão comercial impensável há até pouco tempo na empresa. Nos últimos 12 meses, a companhia cresceu 30% e deve crescer mais com inauguração de uma expansão da fábrica de Lavras. A capacidade mensal de processamento vai pular de 4 milhões de litros de leite para 9 milhões. “Sempre tivemos muito conhecimento, tecnologia, mas estávamos no nosso limite comercial. O Sistema Coca-Cola Brasil trouxe um novo ciclo de crescimento, com um número maior de clientes. Mas o importante é que pudemos manter o mesmo DNA de inovação que sempre tivemos, e também a liberdade para continuarmos essa jornada seguindo os mesmos princípios”, acrescenta Rios.

Texto produzido por Colabora Marcas